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Cidadãos, Políticos, Militares, Magistrados, Promotores de Justiça, Policiais, Repórteres, e Criminosos assumidos, Boa noite!

Manifestamos nosso respeito e gratidão, pela deferência especial de muitos dos Srs, e nossa repulsa e indignação, pela indiferença e culpa de outros tantos. A essência do nosso trabalho é perigo, dor, tragédia, emergência, crise, e trauma. Grande parte disso advém dos discursos, ações e exemplos daqueles que legislam e interpretam as características da violência armada contra agentes da lei, com uma profunda leitura de vetores sociológicos, filosóficos e jurídicos, que incentivam, ou, no mínimo, facilitam, o crescimento e o agir deliberado da criminalidade dos nossos dias, promovendo o que parece uma guerra sem fim.

A PM do Rio de Janeiro teve, de 1994 para cá, mais de 25.000 mortos por causas não naturais, feridos e afastados por problemas psiquiátricos/psicológicos, sem falar nas mortes naturais associadas ao estresse permanente de quem é policial 24h por dia, em serviço ou de folga. Nossas estimativas calculam em cerca de 10.000 filhos de policiais mortos e feridos nos últimos 26 anos, dos quais a metade ainda é menor de idade. Tem sido mais arriscado servir na PMERJ desde 1994, do que em qualquer guerra travada pelas forças armadas dos EUA desde o século XX, incluindo as I e II Guerras Mundiais. Policiais são verdadeiros exemplos de heroísmo, pois protegem a sociedade, e muitas vezes doam sangue, integridade física e mental, e vida, para cumprir este sublime dever.

Nos EUA muitos teriam ganho a Estrela de Prata, a Coração Púrpura, a Medalha de Honra. Foto: ABHRJ

Somos os que livram as pessoas da selvageria do crime; do medo e da submissão; e de chorar por quem amam. Suportamos esse pesado fardo em nome do dever. Como descrever isso além da palavra heroísmo? Diariamente, policiais sacrificam a vida para salvar estranhos, em nome do dever, da justiça, da ética e do bem. O que seria mais isso além de heroísmo? Somos os que se arriscam para deixar protegidas as casas, ruas, vidas, liberdades e integridades das pessoas. Todos nós da PM já perdemos alguém importante; um ente querido, ou um amigo cuja vida foi prematuramente e injustamente terminada, ferida ou mutilada por um criminoso assumido. Pouco tempo atrás, numa cerimônia em honra a mais um amigo e irmão de armas, que perdemos, fomos lembrados de uma dura verdade: o preço da nossa missão é pago em sangue.

Nosso amigo não foi o primeiro a pagar esse preço, nem será o último, porque essa é uma luta que retoma aos primórdios da humanidade, bem X mal. Semana passada perdemos o CB PM Cardoso, em ato de serviço, e dessa vez todos viram como ocorreu, devido as filmagens e a omissão, medo e covardia dos que lá estavam. Se nossa missão como policial pode a qualquer momento exigir nossa vida, então por que estamos na Polícia? Por que estamos cercados de policiais cuja crença na missão não foi abalada pelos riscos? Por que aqueles que tombaram em serviço, que tinham plena noção dos perigos, não procuraram outra profissão antes que uma tragédia se abatesse? Se a vida é o mais importante dos bens, o que faz com que dezenas de milhares de homens e mulheres a arrisquem todos os dias? A resposta é invariavelmente a mesma, e que reflete a força de caráter do PM: nosso dever é maior, e mais valioso que nossas vidas; e não há prova maior do que essa de que nossa causa é justa.

O preço da nossa missão, tragicamente, acaba se tornando o próprio motivo para que seja pago, numa nobre e cruel ironia, pois não há nada mais valioso que a própria vida, para a grande maioria, mas não para nós policiais, que colocamos a sua vida acima da nossa, sim, a vida de você que está lendo esse texto agora. Nossos policiais no RJ e no Brasil, somam mais horas de experiência em combate que muitas unidades inteiras de militares mundo a fora. Heróis vivos e anônimos, e agora saindo do anonimato, para inspirar nosso Estado e País, que precisa de exemplos como os que estão diariamente praticando o ápice da bravura militar. Nos EUA muitos teriam ganho a Estrela de Prata, a Coração Púrpura, a Medalha de Honra. Que sua morte não seja em vão, nobre e bravo irmão Cardoso.

Que sua morte não seja em vão, nobre e bravo irmão Cardoso. A ABHRJ coloca-se a disposição da família, para ajudar no que for necessário, contem conosco. Nunca esquecidos, eternamente honrados! Todos sacrificam algo. Alguns sacrificam tudo. Alguns continuam sacrificando.
Estamos num momento novo e histórico de possíveis mudanças. Se não nós, quem? Se não agora, quando? Pensamos que devemos mudar nossa realidade, valorizar os policiais, e punir exemplarmente os criminosos.

Rio de Janeiro, 07 de dezembro de 2020. Cel PM Cajueiro e SGT PM Fávaro
Associação Beneficente Heróis do Rio de Janeiro – ABHRJ

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