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Nos últimos anos, vivemos a maior crise da história econômica brasileira. Perdemos praticamente uma década de crescimento, com o PIB caindo 8% num período de dois anos. Mas, Mesmo em meio a um cenário econômico  não muito agradável e com a mudança de comportamento do consumidor brasileiro, que tem evitado compras desnecessárias, o comércio eletrônico faturou R$ 69 bilhões no Brasil em 2018. Com isso, o chamado e-commerce cresceu 15%, enquanto o varejo tradicional cresceu apenas 2,3% no País, segundo a Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm). É um bom resultado que, para o setor, mostra que o consumidor está cada vez mais disposto a trocar as compras físicas por compras virtuais

Mas, migrar da loja física para a virtual não é uma decisão fácil a se tomar, requer planejamento e, acima de tudo, certeza da decisão. Foi o que aconteceu com os empresários Júnior e Kelly, da empresa Befashion Kids Nacionais e Importados. Saiba como ocorreu essa transição na entrevista dada ao Portal de Notícias Folha Kariocas.

Kelly : A Befashion nasceu pós maternidade, pois pudemos sentir como é difícil comprar roupas para crianças diferenciadas, principalmente para os meninos. Se você não procurar acaba vendo os meninos vestidos praticamente todos iguais, só muda mesmo a cor e a estampa. Mas, o nome BeFashion surgiu por causa do nome do nosso filho, Bernardo e como o arrumávamos ele com um look sempre fashion, sempre ouvia algém dizer: “nossa Be, você está fashion”. Aí acendeu aquela luz, é esse o nome Befashion.

Luciana Felipe: No início o objetivo era ter na loja vários seguimentos?

Kelly: Nossa intenção era trabalhar somente com seguimento para meninos, mas depois de uma pesquisa de campo chegamos a conclusão de que não iríamos conseguir levar o negócio à frente, a gama maior é das meninas.

Luciana Felipe: Do planejamento até a concretização, quanto tempo levou?

Kelly: Durante seis anos ficamos com o projeto só no papel, trabalhávamos  em uma empresa privada  e  nos faltava coragem pra darmos o pontapé inicial. Mas, até chegar a Befashion começamos com uma pedrinha por vez, não tínhamos capital para investimento e como o Júnior  é designer compramos uma máquina de fazer chinelos para gerar recurso e conseguirmos realizar nosso sonho. O tempo que nos sobrava, nas madrugadas, utilizamos para planejar como iríamos realizar esse sonho, que já estava há muito tempo “na gaveta”.

Modelos diversos Befashion (Foto: Arquivo pessoal Befashion)

Luciana Felipe: Quando você começou a sentir que já estava na hora de colocar em prática o sonho de ter seu próprio negócio?

Kelly: A pressão na empresa onde eu trabalhava começou a ficar muito grande, daí então foi onde eu comecei a ver que já estava na hora do nosso projeto literalmente, sair da gaveta. O interessante é que as pessoas de fora acreditavam muito mais em nós do que nós mesmos. Meu gerente, naquela época, me disse a seguinte frase quando fui lhe entregar um documen to da empresa: “um dia eu sei que vou te perder”, você e o Junior são muito unidos e inteligentes. Oramos e pedimos muita orientação  à Deus, e hoje abrimos a loja. Inauguramos a loja física. Estudamos para conhecer melhor as roupas infantis

Luciana Felipe: Após esse processo, qual foi o primeiro passo?

Kelly: Abrimos a loja física e procuramos estudar e nos atualizar nessa área, que era algo novo para nós. Conhecíamos roupa infantil por sermos pais, mas hoje nossos olhos são olhos empresariais e não de pais somente, não seria mais o nosso gosto, tivemos que entender  como agradar a uma demanda.

Júnior: Por ser, no início, uma loja voltada somente para o público infantil masculino, procuramos fornecedores que pudessem nos oferecer algo diferente, ou como se diz atualmente, descolado, diferente do que já existia no comércio. Mas não alcançamos esse objetivo, daí a iniciativa de também trabalhar com seguimento infantil feminino.

Luciana Felipe: Havia uma marca específica de roupa infantil na qual vocês pretendiam colocar na loja?

Kelly: Iríamos trabalhar com multimarcas, fizemos curso de importação, então estudamos o nosso mercado e chegamos à conclusão que em Queimados trabalhar só multimarcas não iria ser uma opção plausível. Por isso hoje, trabalhamos com multimarcas importados e nacionais. Mais à frente, começamos a ter nossa fabricação própria e hoje, além dos importados multimarcas e nacionais, o cliente também tem a opção de levar produtos da nossa própria marca, BeFashion.

Luciana Felipe: A BeFashion iniciou em uma loja física  e hoje essa loja física não mais existe. O que os levou a optar em trabalhar sem uma loja física?

Kelly: Já com a loja montada, após três anos percebemos que as vendas não eram mais as mesmas e começamos a detectar qual era o fator que estava influenciando de forma negativa nas vendas. Descobrimos que na verdade o problema não era, especificamente, um problema. Na loja tínhamos funcionários e eu, sempre que estava presente, observava o comportamento dos clientes, daí percebi o problema, a dificuldade que os pais tinham em fazer seus filhos experimentarem as roupas. Como geralmente em uma loja infantil tudo é muito colorido, isso chama mais à atenção da criança do que a roupa em si. Isso torna difícil a comunicação entre pais e filhos na hora da compra. Como a ideia da mala já estava há um ano nos planos do Junior, após relatar esse fato a ele ficou claro que estava na hora de colocar em prática a ideia.

Mala Delivery Befashion Kids Nacionais e Importados (Foto: Arquivo pessoal Befashion)

Luciana Felipe: Esse processo de mudança foi difícil?

Kelly: Não aceitei muito, foi difícil para mim, pois para colocar em prática esse projeto teríamos que fechar a loja física, e não estava nos meus planos tomar essa decisão, afinal a loja estava linda toda decorada, eu escolhi as cores, planejei a decoração, deixei tudo do meu jeito. Foi como arrancar um pedaço de mim, fiquei arrasada, mudar nos deixa inseguros, nos assusta e isso em qualquer área da vida.

Mas, dar comodidade aos clientes era algo que nosso segmento de trabalho precisava fazer e para tal, teríamos que tomar esta decisão, mesmo que para mim, a princípio, fosse ser tão “doloroso”.

Luciana Felipe: Qual foi o primeiro passo após vocês chegarem a essa  conclusão?

Kelly: Surgiu a ideia do desfile e seria nesse desfile o momento em que faríamos o lançamento da Mala, como de fato ocorreu. Mas para mim, os quinze dias antecedentes ao evento foram os piores dias da minha vida – risos. Tivemos a correria com as crianças, separar as roupas, ver salão, cabeleireiro, maquiagem e o pior de tudo, a ideia louca do Júnior em lançar a Mala que resultaria na confirmação do fechamento definitivo da loja física. Depois de relutar muito, após o fechamento da loja, conseguimos alcançar um resultado positivo, ainda estamos em transição, fizemos pesquisa de mercado e constatamos que na Baixada Fluminense não havia este tipo de empreendimento, Mala Delivery Kids.

Primeiro desfile da Befashion Kids (Foto: Nilma Sousa)

Luciana Felipe: Como funciona a Mala Delivery?

Kelly: A forma como enviamos a Mala até o cliente é feita após um estudo do perfil desse cliente, montamos de acordo com o que nos é repassado. E nesse caso analisamos não só o perfil da criança, mas principalmente dos pais. Para completar sempre enviamos um brinde para os clientes.

Luciana Felipe: Qual o grau de confiabilidade da empresa com o cliente neste tipo de empreendimento?

Kelly: Fazemos uma análise desde o primeiro contato, procuramos entender o perfil desse cliente e quando a mala é enviada dentro vai junto as especificações do serviço, ou seja, quantas peças são, os detalhes das mesmas, e como a mala deve ser manuseada. Fazemos tudo de forma documentada.

A Mala Delivery é enviada de acordo com o perfil do cliente (Foto: Arquivo Pessoal Befashion)

Luciana Felipe: A empresa tem planos de estender os serviços da mala também ao público adulto?

Kelly: Não, pois nosso segmento é somente infantil.

Luciana Felipe: Como foi dito acima, mudança sempre é algo que nos assusta, vocês passaram por essa experiência. O que vocês aconselhariam ao pequeno, médio ou grande empresário e até mesmo para aquela pessoa que está pensando em fazer algo novo mas tem esse receio, que você Kelly, teve?

Kelly: Primeiro precisamos nos fazer a seguinte pergunta: É isso mesmo que eu quero?

Quando temos a certeza do que queremos os obstáculos se tornam menores por que você já tem um foco. As dificuldades virão, principalmente para nós empreendedores, ao contrário do que muitos pensam, de que só por a pessoa ser um empresário tudo é mais fácil, quando na verdade não é.

Mas se há um objetivo, vá em frente, faça planejamentos, tenha foco e não espere ganhar muito dinheiro logo no início, isso não é verdade. Todo empreendedor passa por momentos difíceis, mas essa é a palavra “passa” , é necessário passar por um processo, sem processo não há resultado e quase sempre esse mesmo processo é doloroso, nos fazendo pensar em desistir. Mas se você não atravessar a ponte, que na maioria das vezes é muito longa,  não vai chegar do outro lado.

Não existe resultado sem processo, ele é inevitável. Empreendedores, não desistam!

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