Nos ajude a espalhar essa matéria entre seus amigos e grupos em que você participa.

“É como um filme passando dentro da minha cabeça.” Normalmente, isso é o que dizemos quando pensamos em uma experiência ou onde deixamos o celular – lembrando o que fizemos como que rebobinando nossas memórias. Um grupo de cientistas da Universidade do Texas descobriu que nem todo mundo consegue fazer isso sem embolar o filme: elas não têm o que eles chamaram de “células do tempo.

As chamadas memórias episódicas são aquelas que guardamos como que impressas numa película de cinema – e como tal, elas têm um marcador que indica qual a sua ordem cronológica, inseridas pelas células do tempo nas recordações à medida que elas vão se formando e sendo armazenadas.

Ao fazer com que as células do tempo criem essa indexação ao longo do tempo, você pode colocar tudo junto de uma maneira que faça sentido“, diz o neurologista e neurocirurgião Bradley Lega, principal autor do estudo publicado agora na na revista Proceedings of the National Academy of Sciences.

O lugar da memória

A existência dessas células responsáveis por ordenar os acontecimentos que guardamos na memória já é conhecida há décadas, em experimentos com roedores – não em humanos. A experiência que resultou na publicação do estudo envolveu 27 pacientes com epilepsia grave.

Como parte da preparação pré-cirúrgica, eles receberam eletrodos no cérebro –  mais especificamente, no hipocampo e em outra área envolvida na orientação espacial, memória e percepção do tempo.

O hipocampo, considerado a sede da memória. Fonte: Shutterstock/Reprodução

Já com os eletrodos implantados, foi pedido que os pacientes tentassem memorizar sequências de 12 ou 15 palavras que apareciam numa tela durante cerca de 30 segundos. Então, depois de um breve intervalo, era pedido a eles que lembrassem as palavras que haviam visto. Enquanto faziam isso, os pesquisadores mediam a atividade elétrica de células cerebrais individuais.

Janelas de tempo

O resultado: eles encontraram um pequeno grupo de células que aumentavam sua atividade elétrica em momentos específicos durante a apresentação de cada sequência de palavras.

As células de tempo que encontramos estão marcando segmentos discretos de tempo dentro dessa janela de aproximadamente 30 segundos, e essas marcações cronológicas parecem ajudar as pessoas a se lembrarem de quando viram cada palavra e em que ordem elas apareceram”, disse Vega.

A descoberta dessas células ajuda tanto a esclarecer o mecanismo que nosso cérebro usa para ordenar nossas lembranças (e, finalmente, achar o celular perdido dentro de casa) como também por que certas lesões que atingem o hipocampo afetam não a memória em si, mas como ela é guardada.

Fora da ordem

Segundo o revisor do artigo, o neurocientista da Universidade de Nova York György Buzsáki, “os resultados ajudam a explicar por que as pessoas que têm danos no hipocampo podem ter problemas de memória estranhos”.

Um experimento realizado há seis anos por um grupo de pesquisadores da Universidade da Califórnia em San Diego comparou as memórias de um grupo de pessoas ao fim de uma turnê pela instituição – passeio que incluíra eventos encenados.

Danos no hipocampo impedem lembrar de fatos em ordem. Fonte: Library of Congress/Reprodução

A sequência dos acontecimentos desapareceu completamente em pessoas com lesões no hipocampo; o novo estudo sugere que seus cérebros não têm células de tempo”, explicou Buzsáki.

Elas também são responsáveis por nossa percepção temporal. “Elas não são como relógios; seu ritmo não é constante, mas sim, dependem de fatores como o humor. Quando você tem que esperar pelo fim da pandemia de covid-19, o tempo passa muito lentamente. Mas, quando você está se divertindo, ele voa“, disse Buzsáki.

Nos ajude a espalhar essa matéria entre seus amigos e grupos em que você participa.

Comentários no Facebook