Há menos de dois meses das eleições 2018, conheça os 13 candidatos a presidência da república

De Lava Jato a barbeiragem no trânsito, há investigados, denunciados, réus, condenados e um preso, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Urna eletrônica brasileira construída para ser usada no processo eleitoral do país - Foto: Divulgação
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BRASÍLIA – A lista de candidatos à Presidência diminuiu ao longo dos meses  pois muitos  saíram da corrida. Há candidatos com pendências na Justiça, investigados, denunciados, réus, condenados e um preso; nomes atingidos por disputas partidárias internas e candidatos que vão enfrentar a escassez de tempo de propaganda no rádio e na televisão. Alta rejeição ou falta de popularidade é impedimento para participar de debates, também estão entre as pedras no caminho dos presidenciáveis. Os eleitores brasileiros devem ficar de olhos abertos nesta corrida presidenciável.

“O problema é que não passa dia sem que esse assunto esteja presente nos meios de comunicação sério do Brasil. Investigações sobre suspeitas de envolvimento de políticos com esquemas criminosos, suspeitas de cobrança e recebimento de propina, suspeita de favorecimento de empresas, de enriquecimento ilícito, de lavagem de dinheiro, suspeita de roubo de recursos públicos. Em muitos desses casos, as suspeitas se consolidam em denúncias. Em outros tantos, as denúncias são acolhidas pela Justiça e políticos deixam de ser apenas suspeitos para se tornarem réus.”

As coligações, segundo o TSE, precisam ser oficializadas até o dia 15 de agosto e por este motivo partidos e candidatos correm contra o tempo para superar seus problemas e apresentar o registro de candidaturas.

Conheça os 13 candidatos 

JAIR BOLSONARO: (PSL)

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Jair Bolsonaro, 63 anos, Deputado Federal, aparece em primeiro lugar nas pesquisas de opinião. De acordo com a pesquisa Datafolha, o candidato tem 19% das intenção dos votos,  um dos líderes na corrida ao Planalto na ausência de Lula.

No domingo (05/08), Bolsonaro oficializou o general da reserva do Exército Hamilton Mourão, do PRTB, como seu candidato a vice-presidente. Militar da reserva e professor de educação física, Bolsonaro é deputado federal desde 1991 – acumula sete mandatos por cinco partidos diferentes.

O deputado foi alvo de ações penais no STF sob acusação de injúria e incitação ao estupro, além de uma denúncia por racismo por palestra em que criticou quilombolas – na área cível, Bolsonaro foi condenado nesse último caso, em primeira instância, a pagamento de indenização de R$ 50 mil. Ele recorreu.

CABO DACIOLO: (PATRIOTA)

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Eleito deputado federal pelo PSOL em 2014, Daciolo, de 42 anos, concorrerá à presidência da República pela primeira vez. Ele está hoje filiado ao Patriota (antigo Partido Ecológico Nacional- PEN). Daciolo terá como vice a pedagoga Suelene Balduino, também do Patriota.

Antes de iniciar sua carreira política, liderou uma greve de bombeiros em seu Estado de origem, o Rio de Janeiro, em 2011. Em 2015, logo depois de eleito, Daciolo foi expulso do PSOL por infidelidade partidária – a sigla entendeu que as posições defendidas por ele contrariavam o estatuto do partido.

LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA: (PT)

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Condenado a 12 anos e um mês,  o ex-presidente cumpre pena em razão de condenação por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do Triplex em Guarujá (SP). Seu vice na chapa Haddad, há uma investigação aberta por suposto caixa dois, em decorrência da delação do empreiteiro Ricardo Pessoa (UTC), um dos delatores da Lava Jato.

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) somente analisará a candidatura de Lula, 72 anos,  após o próximo dia 15, prazo final para registro das chapas na Justiça Eleitoral pelos partidos.

A Lei da Ficha Limpa impede a candidatura de condenados por decisão colegiada, ou seja, tomada por mais de um julgador. É o caso de Lula, condenado por uma das turmas de desembargadores do Tribunal Regional da 4ª Região (TRF-4).

GERALDO ALCKMIN : (PSDB)

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Geraldo Alckmin é ex-governador de São Paulo, 65 anos, assumiu em dezembro a presidência do PSDB e Seu principal desafio é romper a estagnação nas pesquisas de intenção de voto – por enquanto, o tucano ainda não conseguiu deixar a casa dos 7% de intenção de voto. No último Datafolha, Alckmin tem entre 6 e 7% da intenção de votos, atrás de Bolsonaro, Marina e Ciro Gomes – e em cenários sem Lula.

Além das muitas disputas internas, Alckmin assumiu um PSDB desgastado pelas denúncias de corrupção contra integrantes do partido, em especial as que pesam contra o senador Aécio Neves (MG), que disputou as eleições presidenciais em 2014. Alckmin também foi acusado de receber R$ 10 milhões em quantias não declaradas da Odebrecht, o ex-governador teve seu caso enviado para a Justiça Eleitoral, o que o tirou da mira imediata da Lava Jato.

No mês de março deste ano o Ministério Público de São Paulo afirmou que investiga se o tucano cometeu improbidade administrativa no episódio, que é a suspeita de recebimento caixa dois de mais de R$ 10 milhões. Delatores da Odebrecht afirmam ter direcionado o dinheiro à campanha do tucano ao governo paulista em 2010 e 2014.

Tanto Alckmin quanto Haddad são alvos também de ações por questões administrativas, motivadas pela passagem de ambos pelo comando do Executivo paulista e paulistano.

O ex-prefeito, por exemplo, responde a ação do Ministério Público por suposta falta de planejamento na construção de ciclovias. O tucano é alvo, entre outras, de ações da bancada do PT sob o argumento de ilegalidades em licitações e outras ações de governo. O mesmo nega as acusações.

Alckmin ainda precisa driblar as assombrações que perturbam o seu partido o PSDB; os que são alvo de inquéritos desdobramentos da Lava-Jato como o atual vice-presidente da Casa, Cássio Cunha Lima (PSDB-PB), Aécio Neves (PSDB-MG), investigado no Supremo; Aloysio Nunes (SP); Ricardo Ferraço (PSDB-ES); Dalirio Beber (PSDB-SC).

CIRO GOMES: (PDT)

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A candidatura presidencial do ex-ministro e ex-governador do Ceará Ciro Gomes, de 60 anos, foi confirmada em março de 2018 pelo PDT e oficializada no fim de julho. De acordo com a pesquisa Datafolha, Ciro aparece em terceiro lugar, atrás de Bolsonaro e Marina, com entre 10% e 11% de intenção de votos. Os demais candidatos de esquerda não passam de 2% de intenção de voto.

Ciro Gomes (PDT) é o campeão, em volume, de casos na Justiça. Ele acumula mais de 70 processos de indenização ou crimes contra a honra, Ciro foi condenado em primeira instância e recorreu.

O estilo franco e impulsivo que há anos rende a Ciro a fama de “destemperado” pode ser um empecilho em sua campanha.

MARINA SILVA: (REDE)

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A ex-senadora e ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva lançou oficialmente sua candidatura em 2 de dezembro de 2017, pela Rede.

O partido conta com uma bancada de apenas três congressistas. Assim, Marina não teria a garantia de participação nos debates. Caberia às emissoras a escolha de convidar ou não a candidata.

Avessa a embates e a ataques, a própria candidata avalia que será uma campanha extremamente agressiva. Seu vice será Eduardo Jorge, do Partido Verde.

ALVARO DIAS: (PODEMOS)

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O ex-tucano Álvaro Dias, de 73 anos, ganhou fama no Senado por ser um ferrenho crítico da gestão petista e integrante ativo de CPIs (Comissões Parlamentares de Inquérito).

Álvaro Dias cursou História e está no quarto mandato consecutivo de senador. Já foi vereador, Deputado Estadual, Deputado Federal e Governador do Paraná. É de uma tradicional família de políticos do Estado.

Alvaro Dias figura em antiga ação de execução do INSS. Sua assessoria jurídica disse que as peças do processo não estão disponíveis. Seu vice na chapa Paulo Rabello de Castro (PSC), ex-presidente do BNDES é investigado como representante de uma empresa de qualificação de risco, ele foi alvo de quebra de sigilo bancário e fiscal e depôs em investigação sobre possíveis fraudes em investimentos do fundo de pensão dos Correios, em fevereiro.

HENRIQUE MEIRELLES: (MDB)

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O ex-ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, de 72 anos, começou a construir a sua candidatura presidencial em abril deste ano, quando deixou o cargo no governo de Michel Temer e trocou o PSD por seu partido atual, o MDB. Com uma missão árdua, “tirar o partido do atoleiro em que se enfiou”, com tantas denúncias e até prisões de políticos ligados direto ao partido (MDB antigo PMDB), a situação de Meirelles não é nada boa.

O MDB acumulou uma larga marca histórica de crimes denunciados e apresentados pela Procuradoria-Geral da República contra políticos do partido. Esses políticos denunciados aguardam decisão do Supremo, que pode arquivar ou transformá-los em réus: os deputados Aníbal Gomes,  Lucio Vieira de Lima, do MDB; e os senadores Edison Lobão, Fernando Bezerra Coelho, Garibaldi Alves Filho, Jader Barbalho, Renan Calheiros, Romero Jucá, Eunício Oliveira e Valdir Raupp, todos do MDB;  além das prisões dos Deputados Federais Eduardo Cunha e Geddel Vieira Lima; dos Deputados Estaduais Jorge Picciani e Edson Albertassi; do ex-governador do Rio Sergio Cabral. Além disso, as duas denúncias que estão paradas por decisão da Câmara voltam a andar no dia 1º de janeiro, ao fim do mandato de Temer.

A falta de popularidade ainda é um obstáculo a ser superado. No Datafolha de junho, Meirelles obteve 1% da intenção de votos.

JOÃO AMOÊDO: (NOVO)

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O ex-executivo do sistema financeiro João Amoêdo, de 55 anos, se afastou da presidência do partido que ele próprio ajudou a criar em 2015 para ser lançado pré-candidato à Presidência. Pelas regras do Novo, candidatos não podem exercer funções partidárias nos 15 meses anteriores à eleição.

Amoêdo não é um candidato conhecido. Tem viajado o país para fazer palestras na tentativa de tornar-se mais popular. No Datafolha de junho, Amoêdo obteve no máximo 1% da intenção de votos.

GUILHERME BOULOS: (PSOL)

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O PSOL anunciou o nome do líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Guilherme Boulos, de 36 anos, como candidato à Presidência. A chapa terá como candidata a vice-presidente a ativista indígena Sônia Bone Guajajara, também do PSOL.

Boulos venceu a disputa interna no PSOL, que tinha como pré-candidatos os economistas Plínio de Arruda Sampaio Jr., Nildo Ouriques e Hamilton Assis, militante do movimento negro. Em julho, o partido oficializou a chapa formada por Boulos e Sônia.

Guilherme Boulos, também foi alvo de processos relacionados ao Movimento dos Trabalhadores Sem Teto, do qual é líder, ele teria batido em setembro de 2017 na traseira de uma moto, arremessando-a contra a traseira de outro carro, segundo o boletim de ocorrência.

Na época o dono do outro veículo disse à Justiça que Boulos prometeu falar com seu advogado sobre o conserto. “Desde então o requerido [Boulos] não mais atende suas ligações.”

JOÃO VICENTE GOULART:  (PPL)

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No domingo,5,  o Partido Pátria Livre oficializou a candidatura de João Goulart Filho à presidência, em um evento em São Paulo. O candidato do PPL é filho do ex-presidente João Goulart, o Jango (1919-1976), cujo mandato foi interrompido pelo golpe militar de abril de 1964.

Goulart terá como vice um professor universitário de Brasília, Léo Alves, também do PPL.

EYMAEL: (DC)

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José Maria Eymael foi oficializado como o candidato presidencial pelo partido Democracia Cristã (DC), em convenção no último sábado (28 de julho), em São Paulo. Esta será a 5ª vez que o advogado disputa a presidência da República. Ele terá como vice o pastor Hélvio Costa (DC).

VERA LÚCIA: (PSTU)

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A ex-operária Vera Lúcia, de 50 anos, foi lançada como cabeça da chapa presidencial do PSTU, que deverá ter como vice o professor Hertz Dias, da rede pública do Maranhão.

A candidatura tem por objetivo apontar o que o partido considera a forma ilegítima e antidemocrática como são disputadas as eleições no Brasil. O PSTU considera que o objetivo final de um partido revolucionário não é disputar eleições, e sim organizar os trabalhadores para tomar o poder.

Alguns, que também estão sendo investigados ou estão na mira da Lava-Jato desistiram de suas candidaturas para firmarem alianças e fazerem acordos nos Estados de origem, sabemos que  o número de investigações e processos pode ser maior porque o levantamento não inclui ações em segredo de Justiça, processos trabalhistas e eventuais ações movidas na Justiça de primeira instância de Estados que não são os de origem ou atuação política do presidenciável. Há também tribunais que dificultam o acesso público.

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