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Basta abrir o Instagram para se deparar com mulheres brasileiras em fotos de paisagens estupendas ou em seus cotidianos fascinantes de casadas com estrangeiros pelo mundo. Essas histórias até poderiam soar como um conto de fadas moderno, se não fosse o lado B da realidade de lidar com o exótico dentro de casa. Tem glamour, mas também tem saudade, dor de ir embora, dificuldade de se comunicar com alguém que não fala seu idioma nas questões mais íntimas, entre outros desafios. Com mestrado em Comunicação Intercultural pela Universidade da Suíça Italiana, Liliana Bäckert se baseia na sua experiência de casamento de 16 anos com um alemão na Suíça, em seus estudos sobre migração e em entrevistas com mais de 50 brasileiras e especialistas interdisciplinares, como psicólogos, psicanalista, sexólogo, estudiosos da Comunicação Intercultural, antropólogo e cientista social. O resultado é um retrato das uniões entre brasileiras e homens de outros países e as inúmeras relações sociais construídas a partir desses encontros.

Ineditismo – O casamento entre pessoas de diferentes culturas não
é assunto novo, mas essa é a primeira vez que a realidade
brasileira é retratada em material não acadêmico. Existe literatura
vasta sobre o assunto em inglês, com casos de populações
diversas da nossa.

O livro é uma mescla de histórias, nas quais a jornalista intercala
sua própria experiência, com pesquisas sobre o assunto e o relato
ora dramático, ora cômico – de mulheres que têm relacionamento
com homens oriundos de 18 países diferentes. O material demorou
quase três anos para ser escrito.

  • Eu queria dividir com os leitores as situações surreais que uma
    brasileira pode vivenciar ao se casar com alguém de uma outra
    cultura. Precisava contar que a vida se torna, no mínimo, mais
    complexa. Tenho certeza de que muita menina desconhece que
    precisará negociar valores importantíssimos para ela, mas
    considerados absurdos em outra cultura, como uma simples festa
    de aniversário de criança, por exemplo.

    Ao retratar essas exóticas construções amorosas, o material
    aborda temas como racismo, feminismo, migração, adaptação a
    uma nova sociedade, reações familiares, vulnerabilidades
    femininas, criação de filhos no exterior, abusos psicológicos,
    tráfico de seres humanos, reinserção no mercado de trabalho,
    divórcio, guarda de menores, códigos de conduta e uma série de
    outros assuntos.

    Sem pretensão de ser acadêmico – Amores internacionais se
    encaixa na categoria livro-reportagem. O material não é e nem
    pretende ser um trabalho acadêmico, com resultados de pesquisa científica. Trata-se de um panorama sobre as diferentes realidades dessas brasileiras e as consequências desses casamentos.

O livro foi pensado para mulheres que tenham uma relação com
alguém de outra nação: namoradas, noivas e esposas. Pode ser
estendido a mães e pais de um dos envolvidos, maridos
estrangeiros que leiam em português, amigos, familiares.
Ajuda para lidar com estrangeiro – A autora parte do princípio de
que uma pessoa de outro país pode mudar a dinâmica de
encontros familiares e, inclusive, aumentar a quantidade de gafes
em potencial. “Família brasileira quer mais contato, às vezes todo
fim de semana, podendo passar por intrusiva, dependendo da
cultura de onde vem o marido. E isso, acreditem, traz problema na
relação. Acho fundamental que os parentes entendam que esse
novo integrante tem expectativas e costumes distintos
”, explica a
jornalista.

O material fala de migração, mas também traz questões que
incluem a vida desse casal no Brasil. Aborda a reação dos amigos
da noiva quando sabem que a amiga irá se unir a um estrangeiro.
Algumas relatam que sofreram preconceito, inveja de pessoas
próximas.

Formato

O livro foi escrito de maneira informal, em formato de contação de
histórias. A autora decidiu não dividir em capítulos, mas em
narrativas que dão sequências a assuntos importantes naquela
construção temática. Quando se aborda a história de uma
brasileira negra, por exemplo, que se casou com um alemão
branco, os textos que se seguem falam sobre racismo, solidão da
mulher negra e outros tópicos relacionados.

Com foco na brasileira, o livro traz análise de gênero, social e
econômica, como integrantes de um processo no contexto do
casamento intercultural.

Entrevistas de histórias de vida:

● Cerca de 60 brasileiras casadas com estrangeiros, três
brasileiros com estrangeiras, e um suíço – no total de 19 nacionalidades diferentes: sérvia, francesa, suíça, nigeriana, polonesa, alemã, italiana, inglesa, iraquiana, portuguesa, chilena, irlandesa, tailandesa, mexicana, taiwanesa, norte- americana, eslovaca e norueguesa
● 35 histórias contadas
● As idades dos entrevistados variaram de 24 a 55 anos

Entrevistas técnicas:

● Psicanalista e professor universitário – René Dentz
● Psicólogas – Telma Witzig, Gabriella Ribeiro, Fabíola Dueri e
Andrea Sebben
● Sexóloga e Psicóloga – Solange Bote
● Assistente social – Eva Danzl
● Aconselhadora psicológica – Graziela Velardo Birrer
● Advogada – Fernanda Pontes Clavadetscher
● Cientista Social e professora universitária – Maria Eduarda
Noura Rittiner
● Antropóloga – Hilaine Yacooub
● Formadora de casais – Trea Tjiemens
● Projeto Resgate – Marco Aurélio Sousa e Vicente Medeiros
● Coordenador de Pós-graduação em Empreendedorismo da
Universidade Federal Fluminense (UFF) – Eduardo Picanço
● Coordenadora do Serviço de Aconselhamento para
Casamentos Binacionais (Fabrina – Berna/Suíça) – Esther
Hubacher

Assuntos abordados:

● Diferenças culturais, as razões pelas quais pessoas de
culturas específicas agem de determinadas maneiras
● Vulnerabilidades femininas e migratórias – uma mulher longe
de sua rede de conhecimentos e sem o domínio do idioma,
em um outro país, fica exposta a uma série de situações:
abusos, racismo, violência
● Aprendizado de um novo idioma
● Racismo, mulher negra que se casa com homem branco,
reações da sociedade em relação à união

● Preconceito com mulheres que se casam com estrangeiro em
geral (acusação de serem interesseiras, as conhecidas marias
passaporte)
● Depressão, compras como válvula de escape
● Solidão (em vários aspectos da migração)
● Perfil de pessoas que se casam com estrangeiros
● Tráfico de seres humanos, exploração de vulnerabilidades
● Criação de filhos com alguém de uma cultura diferente
● Fala e silêncio
● Cultura oriental
● Formas diferentes de demonstrar o amor
● Beijo na boca, códigos de etiqueta do namoro e aproximação
● Dicas – o material traz algumas dicas sobre como proceder
em algumas situações de relação intercultural

Sobre a autora

Liliana Tinoco Bäckert tem mestrado em Comunicação Intercultural
pela Universidade da Suíça Italiana. Trabalha como consultora
intercultural e atua como jornalista freelancer para a Swissinfo.ch e
Rádio CBN, onde é comentarista sobre vida no exterior no quadro
CBN Longe de Casa.

O livro é resultado da decisão em transformar o próprio choque
cultural em combustível para ajudar quem queira entender o
processo migratório e de casamento binacional. Carioca, mora na
Suíça desde 2005 com o marido alemão e seus dois filhos.

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